Publicado

Quem dera meu pecado fosse apenas o que eu faço. Apenas a dureza do meu coração ou as duras palavras que utilizei em tantos contextos só pelo prazer de ver o outro ser humilhado. Meu pecado maior tem sido a omissão.

Isso acontece porque, equivocadamente, achei que meus problemas eram relevantes demais. E num exagero de amor próprio, considerei necessário cuidar da minha própria saúde mental. De fato estar bem faz uma diferença enorme na caminhada da gente, mas não dá pra curar a si mesmo e imaginar que tudo ficará bem num mundo onde todo mundo continua morrendo.

Ainda me assusta ver como as palavras mais simples, retiradas das Escrituras, são mais poderosas do que infinitas argumentações.

Que Deus me perdoe por ter abandonado o púlpito que me foi confiado. E que me abençoe para que eu possa recuperar o tempo perdido, chamando novamente os homens à prudência.

Autor

Publicado

Sofro pelo que não controlo. Não as grandes coisas, mas as pequenas. As grandes confio a Deus e vou levando a vida um dia de cada vez. As pequenas, experimento a frustração de que tudo poderia ser um pouco melhor do que está sendo.

Meu sofrimento é porque tropeço em pedras medianas. E tudo que está na média, é medíocre. Quem dera meu erro fosse o do grande abismo, ou das dolorosas pedrinhas que aparecem nos rins. Até nisso há frustração.

Ao menos tenho conseguido me controlar em duas situações particulares. As em que eu explodiria e as em que eu iria pra geladeira me anestesiar com algum prazer gostoso.

Sofro porque faço as contas. Não fui feito pra contabilidade. Só pro trabalho e pro sonho.

Autor
Categorias Reflexões Diárias

Publicado

Noventa por cento dos problemas que as pessoas provocam em nossa vida, não se trata de coisas realmente urgentes ou importantes. No final tudo não passa de disputas de ego. Ofendem-se com nada. Gostam de se sentir ofendidas, porque no fundo possuem expectativas idiotas acerca de si mesmos.

Porém, nas questões realmente importantes, estes se calam. O problema é sempre o outro ou algum suposto prejuízo que acreditam que alguém tenha provocado. E destes, o prejuízo da honra é considerado o pior.

Não sei como considerar que seja digno de honra quem lida com a vida com parcialidade. Nem os muitos anos são capazes de instruir a maioria acerca do quanto é imprescindível não se importar com fatores externos, na construção de nossa reputação.

A vantagem de trilhar um caminho marginal é exatamente não depender do que outros pensam a seu respeito. Quem não tem reputação, automaticamente torna-se alguém perigoso. Afinal, não tem nada a perder nunca.

Autor
Categorias Reflexões Diárias

Publicado

Quantas vezes você decidiu retomar o que estava fazendo, mas simplesmente não conseguiu? Esta é a minha realidade também. Fatores emocionais e pressões das circunstâncias me afetam mais do que eu gostaria. Por fim, deixo minha vocação em segundo plano, enquanto apago incêndios que vão aparecendo no meio da jornada. Mas… as coisas não precisam ser assim. Uma autoimposta disciplina rígida se faz necessária. E os céus não irão se abrir com a voz de Deus (dublado pelo Cid Moreira) para dizer o que preciso fazer.

O que é preciso saber já está plenamente revelado nas Escrituras. Se existe alguma revelação além disso, é redundante se concorda com as Escrituras. E dispensável se não concorda.

Mas não espere que haja coerência das outras pessoas com relação a isto. A maioria prefere o sentir do que o pensar. O pragmatismo impera, subjugando a lógica ao que traz bons sentimentos. Uma merda.

Nestes dias, estou trabalho duro no sentido de organizar minha agenda para que eu possa novamente ser acompanhado. Não é, de forma alguma, um anseio por audiência. Isso eu tinha no Facebook. Até a primeira centena de milhar de seguidores, ainda havia certo grau de diversão naquilo tudo. Hoje, garimpo os que querem ser confrontados com algum entendimento que vá além do óbvio.

Tentando não morrer de tédio com as pessoas que Deus me manda amar.

Autor
Categorias Reflexões Diárias, Trabalho Duro

Publicado

Há uma história sobre um tal de Jesus. Talvez já tenha ouvido falar alguma coisa sobre ele. Dizem que, por falta de vagas nos hotéis próximos à rodoviária, sua mãe acabou parindo no curral dos animais. E na falta de um berço decente, o pobre coitado teve que se contentar com o cocho dos animais se alimentarem. Há relatos também de que o casamento de seus pais aconteceu em meio a certas circunstâncias estranhas. Parece que o homem suspeitava que a gravidez de sua futura esposa era de outro. E isso era bem provável, pois ela ainda era comprovadamente virgem. Como diz o ditado: “família é tudo igual… só muda o endereço”. De fato, a inseminação artificial na época era DIVINA!

Lá pelos seus 12 anos, o moleque espichava na altura e começava a por pra fora os ideais reacionários de seu pai (não o de criação, mas o que engravidara sua mãe antes do casamento). Ao invés de ir pro campo de futebol que ficava próximo ao local onde se crucificavam pessoas (na época as penitenciárias não eram muito populares), o pivete insistia em perturbar os religiosos. Enchia todos eles de perguntas. E surpreendentemente, eles até gostavam. Digo que isto é surpreendente por que não se fazem mais religiosos como antigamente. Hoje em dia perguntas não são tão bem vindas. Principalmente se for sobre gastos de dinheiro nas igrejas.

Então Jesus atingiu a maioridade civil! E resolveu que ia fazer uma turnê com sua banda pelas cidades próximas. Como loucura é algo magnético, rapidamente recrutou 12 integrantes. Na época era permitido montar bandas de rock com tantos membros. Hoje em dia, passou de 5, é considerado grupo de pagode. O nome da banda era “O Filho e os homens”. Só tinha um problema: ninguém sabia tocar nada. Mas Jesus era um cara persistente. Como todo bom brasileiro, estava decidido a não desistir nunca! Acabou que por um erro de pronúncia, a banda ficou conhecida como “Filho do homem”. Mas há certa justiça nisso, pois infelizmente a banda não era tão boa. Bom mesmo era o vocalista. Jesus arregaçava com tudo e com todos. As letras de suas músicas mexiam realmente com as pessoas. E curiosamente, não havia nada de tão novo. Fazia algo que o Iron Maiden faz até hoje: citou textos históricos e amplamente conhecidos. E em meio à turnê, multidões começaram a se aglomerar. E graças a seus talentos vocais insuperáveis (desculpe Bruce Dickinson, mas Jesus era o máximo), ficou conhecido por Mestre.

A maioria das pessoas ignorava que o talento de Jesus foi descoberto por um famoso produtor chamado João Batista. Esse tal de Batista era um verdadeiro garimpeiro! Ele inclusive foi o idealizador do primeiro “Rock in Rio Jordão”, show em que Jesus se apresentou publicamente pela primeira vez. O show foi incrível. As pessoas ficaram atônitas, sem entender de onde vinha aquela voz celestial. Infelizmente o pobre Batista não pode agenciar ao Mestre. Como a maioria dos produtores musicais, acabou perdendo a cabeça e foi assassinado de maneira trágica.

Ao contrário do baixista (um tal de Judas), que em seu íntimo desejava fazer carreira solo num futuro próximo, Jesus queria que a banda perpetuasse sua musicalidade por toda a eternidade. E pra isso investiu pesado na formação de cada um dos integrantes. E dedicou-se com afinco durante longos 3 anos de turnê.

A turnê foi um sucesso absoluto. A fama de Jesus o precedia. Multidões aguardavam ao Mestre nas entradas das cidades. E ele era muito amigável e simpático. Não recusava um autógrafo para nenhum de seus fãs. Mas fã é um bicho complicado. Hoje tá atrás de Jesus… amanhã já tá atrás do Calypso. Mas mesmo sabendo que a multidão não era fiel a suas músicas, Jesus continuava a cantar. E desafiava a cada pessoa que encontrava a também montar uma banda. Infelizmente, muitos são chamados, mas poucos escolhem para si este caminho.

Em vista da quantidade de interessados em sua musicalidade, Jesus organizou uma espécie de escola itinerante de música. Chegou a ter setenta alunos, que eram enviados de dois a dois para pequenos shows nas comunidades próximas. Os setenta voltaram de sua primeira apresentação com “sangue nos zóio”. Sentiram pela primeira vez o poder do Rock. Mas Jesus os advertiu que não se empolgassem pela multidão ou pela fama, mas sim por terem o privilégio de cantar músicas tão divinas.

Jesus era um cara estranho. Mesmo podendo hospedar-se nos melhores hotéis, preferia dormir na casa de amigos. E nem eram amigos de longa data. A maioria eram pessoas conhecidas nas ruas, em meio à turnê. Coisa de rockstar mesmo.

E eu poderia contar dezenas de histórias inéditas sobre Jesus e suas incríveis façanhas. Mas o realmente deve ser observado é sua atitude em, sendo o Deus do rock, se fazer acessível como um mero fã, para que todos nós possamos conhecer sua música.

Autor